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Perdi as contas de quantas vezes disse adeus.

Parece covardia não querer encarar a realidade: você se foi e não quero admitir.
É que um pedaço me falta, e eu não posso ver esse pedaço tão meu preenchendo outros quebra-cabeças que já foram preenchidos por tantas outras peças. É que não consigo ver uma peça única sendo tratada como outra qualquer, mas você insiste, porque é isso que você quer.
A cada noite uma nova tentativa de dar adeus. "Essa é a última vez que me importo, essa é a última vez que tento saber, que vejo se está bem." E fica só na promessa esses tantos adeus, e eu juro que já perdi as contas. Já se passou tanto tempo, mas no meu mundo - vulgo meu coração - fazem apenas dias, talvez horas que o relógio insiste em girar... E eu sempre acho que de uma maneira ou de outra, irei de encontrar de alguma forma, recuperar tudo o que perdi.
Tento não me culpar, analisando todos os fatos, situações e momentos (desde os bons até os ruins)... Em vão. Não posso ser culpada por um sentimento que nasceu, mas te acuso por nunca ter rejeitado. Eu carreguei o seu sorriso por tanto tempo, enquanto dizia e fazia coisas pelo preço que fosse só pra ele existir. Você nunca se recusou a sorrir. E então tudo começou, e seguiu a estrada que se construiu dentro de mim, que agora é tão difícil esquecer a maneira como percorremos. E eu lamento. Lamento por ter te conhecido, por te amar, por ter compartilhado a minha vida com você.
Eu te acuso por não ter me odiado antes, por não ter negado passar tantos momentos comigo, por ter sido meu amigo. Seria melhor nunca ter existido, do que construir memórias que hoje luto em vão para destruir.
Eu sinto saudade de quando não sabia quem era você, e hoje meu maior desejo é voltar àquela noite, e fingir que não vi você acenar.

"E quando ouvir saudade, eu estarei lá."

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