domingo, 22 de março de 2015

Talvez.

Após quase me afogar em um mar de sentimentos que eu desconhecia depois de tanto tempo sem sentir, de volta estou, ainda tentando respirar. Eu não digo que tenha algo de errado com a minha respiração no sentido literal da coisa, mas naquele ato de inspirar e me sentir tranquila, o que está sendo impossível de acontecer. Tomei coragem pra expor o que antes tinha dificuldade, e não sei se me sinto melhor depois disso. Talvez tenha sido por impulso de algo que estava sufocado dentro de mim há muito tempo, e as folhas de caderno e tinta de canetas não tenham sido fortes o suficiente pra prender meus pensamentos em uma linha reta de pensamentos e versos, que com certeza ficariam guardados na caixinha de memórias, ou debaixo da minha cama (quando eu fico com sono e desisto de escrever).
Já faz muito tempo, e para não dizer que não me lembro de datas, aprendi a decorar: 1 ano e 4 meses. Por mais que você tenha lembrado da data, e eu ter aprendido a contar isso, eu ainda procuro o momento exato em que você se tornou parte de mim, e me pergunto se posso definir isso com uma data, hora, palavra, filme ou lugar. Eu não encontro. Nunca. Só sei que se tornou, e sei que ao expulsar tudo o que habita em mim, voltarei para os meus 19 anos. Como? Porque depois que te conheci aprendi a crescer, aprendi a ver os outros, aprendi a esquecer do meu umbigo quando necessário. Aprendi a ouvir, e aprendi que nem sempre o silêncio significa esquecimento... Mas ainda me restam dúvidas de que entre todas as coisas que eu aprendi (sem sua intenção), eu realmente aprendi essa última lição. O seu silêncio realmente não significa esquecimento? Porque eu daria tudo pra ouvir sua voz em momentos como esse, e você dizer que tudo passa e que são coisas da vida. Eu juro que quando aparece esse aperto, ou qualquer alegria, a primeira pessoa que eu quero contar é com você. Mas eu preciso a qualquer custo aprender alguma coisa com esse silêncio, eu juro que estou tentando. O eco me incomoda cada vez mais, e as dúvidas se multiplicam a cada minuto silencioso em que eu lembro de todas as manhãs, tardes e noites.
Voltando do trabalho, o trânsito estava horrível, e eu dormi. Acordei com as janelas do ônibus abafadas, e eu me transportei pra outra data. O seu cheiro dominou minha mente, mas eu sei que não estava presente em lugar nenhum a não ser ali no meu psicológico. Senti saudade. Outra situação foi lembrar daquela rosa que eu nunca ganhei, mesmo tendo comentado que eu nunca ganhei uma. Ganhei um emoji, mas a rosa com seu perfume jamais... Por que? Seu significado jamais seria confundido, porque quem sente apenas sou eu.  Lembrei do mar, eu contando sobre a minha vida e você pedindo pra eu não chorar. Eu juro que não ia chorar, mas não posso te garantir que não faça isso quando voltar lá sozinha.
São em noites como hoje, que todas estão iguais. Eu sinto sua falta como se nunca mais fosse te ver, e de certa forma isso é verdade. Talvez daqui a alguns anos eu entenda o porque tudo isso se transformou nesse vácuo. Talvez daqui a alguns anos eu ainda esteja me questionando, por nunca encontrar respostas. Quantos anos significa "alguns", e por quanto tempo conviver com essa falta desnecessária? Bastaria apenas você lembrar... Ou esquecer de uma vez por todas.

Obrigada por tudo o que nunca foi.