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Se hoje eu não te tenho mais, ter tudo não me satisfaz.

Como outra qualquer. Hoje eu sonhei com você, e eu não sei mais o que pensar. Como pude me tornar assim tão dependente, tão frágil? Um copo como qualquer outro, algumas garrafas, cigarros e alguns amigos... não exatamente amigos, já que faz tão pouco tempo. A verdade é que não sei o que de fato estava fazendo ali, já que minha pretenção inicial tinha desaparecido. As horas pareciam não passar, e de repente meu celular tocava desesperado, com uma pessoa tentando me localizar.. sim, o meu herói estava tentando saber onde sua pequena estava, e queria ela em casa naquela hora. Voltando pra casa, quis saber onde estava, a menina já não sabia se estava ali ou em outro espaço. Estava perdida, um corpo vagando pela eternidade de caminhos e quilômetros que pareciam tão mutáveis a cada minuto, segundo, ou milésimo. E aquela era a milésima vez que pensava em uma solução para toda aquela confusão, e como arrumar tempo para fazer tudo o que precisava. Maldito relógio, já marcava um horário excedido... meia noite e meia, em ponto. Aqueles ponteiros a desesperavam, pois estavam sincronizados a toa. Era incrível como até um objeto (irracional) conseguia superar a capacidade dela mesma controlar sua vida. Tudo bem, já era outro dia e ela se via na mesma situação: voltando para casa, em um dia que fora perdido, como todos os outros pois ela não conseguiu mais uma vez controlar seu tempo e sua vida. E via aquela senhora, aquela pobre, fétida e triste senhora falando em uma língua qualquer, desconhecida.. sobre suas dores e amores, suas lutas e fracassos. E então imaginou-se em seu lugar, e como seria seu futuro. Parou para chorar, mas sabia que o mundo continuaria girando, e o relógio rugindo. Se afundou no banco daquele transporte para outros tempos, e assim finalizou seu dia, como todos os outros: cansada de não ter nenhuma boa história para contar.

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